segunda-feira, 8 de junho de 2009

CÊ

Acho que já ouvi 80% da discografia do Caetano, mas só aprendi a gostar dele nesse álbum, curioso ver que muitos dos meus amigos , e amigos de amigos estão incluídos nessa contagem, começaram a nadar na direção oposta a minha partir desse mesmo álbum.
As retóricas mais usadas são: '' ele perdeu a noção... '‘, '' como ele não percebe que já é muito velho pra bancar o garotão?!'' '' Rock??? Só faltava essa!'' etc. Acho que o que deveria ser lido antes do álbum é o fato dele ser um artista, não um mero Artesão da música, e não que artesão seja menor, mas na música são capacidades bem distintas.
A partir do ''obra em progresso’’ quando ele deixou de ser como quase todos os outros grandes nomes da música que não tem a menor vocação pra linguagem da internet, vide: Djavan, Chico Buarque, Adriana Calcanhoto... ok, você deve estar se perguntando ‘’ Mais todos eles tem site?! Certo?’’ Certo, mas site até a padaria da minha rua tem, o que estou levantando é que nenhum desses artistas tem uma conexão direta com seu publico através da linguagem internet, talvez por não dominá-la ou por preferirem manter a fórmula infalível, até agora ao menos, de se manter distante de quem compra seus CDs ou vai aos seus shows, para criar uma relação de mito-artista, permitindo assim que o público o coloque num pedestal, o trate como um semideus ou para que seja justificável um comportamento alheio ao agora.
Voltando ao Caetano.
Transpor ao cd um conceito e fazê-lo não só um pretexto para reunião de fonogramas que devem ser vendidos, assim como quadros em lojas de conveniência, e além de tudo isso ser atual, orgânico e altruísta não é tão fácil como pode parecer.
As mudanças que aparecem na textura das canções são pra mim motivo de admiração, ninguém disse ao Picasso que ele deveria pintar de uma maneira mais atual a cada tela, mas seu publico se renovava e afirmava com o passar das pinceladas, e talvez seja isso que tenha acontecido com o Caetano. Talvez tenha renovado seu publico. Que bom! Imaginem o quão engraçado seriam senhores de 65 anos gritando com veracidade ‘’Você foi mó rata comigo!”que ilustra a canção Rocks , faixa de CÊ.
Porém isso não o torna um John Mayer (http://www.johnmayer.com/blog), para citar um, que em seu blog postou metade de uma canção e propôs aos visitantes que criassem o restante e postassem o resultado, democratizando assim a criação artística tão misteriosa para alguns. Lembrei agora do Marcelo Camelo que no clipe da canção’’Liberdade’’, do álbum Sou, reuniu vários clipes caseiros de pessoas interpretando sua canção.
Não que esses sejam maiores ou melhores.
Seria como comparar Rodin e Aleijadinho. Melhor lucrar com as peculiaridades de cada um.
Mais isso já é um assunto pra um próximo post!
Acho que acabei falando do conceito do álbum, das idéias, intenções e pouco das canções(sem contar a banda reunida). Não há problemas, é só procurar no Google o restante. ( inclusive o álbum e vídeos)
Até!

Sal à gosto.

Olá!
Já havia uma ideia ,embora vaga, de relatar minhas experiencias e visões sobre a música que ouço diariamente, e embora acredite que minhas opiniões não se tornam pertinentes ou interesssantes só pelo fato de serem minhas, creio que possam servir de apoio ou indiquem novas maneiras a se construir ideias ou fruir sobre os baldes de conceitos já expostos.

Indicações, correções e afins serão sempre bem vindos aqui.
E que seja nossa a minha salada!

B. Monteiro.